sexta-feira, 26 de junho de 2020

Tutorial para levantamento bibliográfico


Passo 1: definição do objetivo do levantamento. 

Por que definir um objetivo? Porque assim conseguimos definir as palavras-chave para encontrar os estudos que precisamos. Por exemplo, para um artigo sobre desinformação o objetivo foi "apresentar o conceito de desinformação a partir de outros autores (em especial bibliotecários e cientistas da informação), motivações e tipos". É muito importante ter explicitado o objetivo para entender o que se pretende com a pesquisa. Então: defina um objetivo para este levantamento. 


Passo 2: pesquisa prévia. 

Essa etapa é um teste para verificar se existe bibliografia sobre o assunto e verificar possíveis artigos/trabalhos que possam ser usados como referência para a pesquisa. Exemplo: na minha pesquisa, digitei no Google Acadêmico a palavra “desinformação” e vieram diversos textos interessantes. Selecionei os 10 mais interessantes que serviram de “referência” para que eu fizesse um levantamento dos termos que esses autores usam, se colocam o termo só nos assuntos, ou se colocam no título também etc. Tudo isso é um comportamento informacional dos autores e que vai nos ajudar futuramente com os demais passos.


Passo 3: definição das palavras-chave. 

As palavras-chave utilizadas em um levantamento foram: desinformação, disinformation, misinformation, fake news, pós-verdade, pos truth, competência informacional, competência em informação, literacy competence, information competence. Por que essas palavras? Porque foram termos encontrados em artigos que se tinha como referência e que na pesquisa prévia foram verificados como interessantes para essa busca. Dentro de textos sobre fake news - por exemplo - vamos encontrar as definições, as motivações que o autor do texto elenca para justificar a disseminação desse tipo de informação etc. Mesmo que a gente saiba que desinformação é um assunto muito mais amplo do que fake news, nem todos os autores sabem, então considerar termos que discordamos muitas vezes nos ajudam também.

Dicas para encontrar as palavras-chave: 
  • Usar e abusar de sinônimos (p.ex.: insaturação pode ser encontrada como “sem saturação”) 
  • Consultar as palavras-chave de artigos que já sejam referência para a sua pesquisa 
  • Usar tesauros da área em questão para consultar os termos 
  • Conversar com colegas que entendam do assunto e possam sugerir palavras 

Passo 4: definição das fontes de informação. 

É muito importante definir as fontes de informação mais pertinentes para este assunto porque são nelas que teremos mais chances de encontrar a literatura que desejamos. Na pesquisa prévia, já é possível consultar as fontes que são potenciais, já com intuito de verificar se tem alguma coisa a ser explorado posteriormente. Sugestão: sempre optar por fontes de informação da área em questão. No nosso caso, Ciência da Informação.


Passo 5: definição do recorte temporal e idioma. 

Para a pesquisa sobre desinformação não houve delimitações, apesar de a grande maioria ser de 2018 e 2019, e um misto de inglês com português. Não haviam taaaantos estudos para delimitar nesse ponto, mas com certeza outros assuntos - como “competência informacional” - terão muita coisa, então o correto seria definir uma faixa temporal caso venha muita literatura e também um idioma (que seria o português, mas que não significa não ter estudos no Brasil em inglês).


Passo 6: definição da estratégia da busca. 

Você já tem, nesta etapa, as palavras-chave e o recorte temporal que foram definidos em etapas acima. A estratégia da busca é um esquema que mescla termos autorizados (as palavras-chave que são autorizadas nas fontes de informação para busca. P.ex.: a pesquisa é sobre cachorro. O termo autorizado pode ser “cão”. Então, essa análise é necessária para utilizar os termos corretos, porque uma vez o termo sendo “cão” ao pesquisar “cachorro” pode não aparecer nenhum resultado e se dar a pesquisa por encerrada) com operadores de busca (truncamento e/ou booleanos1 ) Exemplo de estratégia de busca: 

fake news AND pós-verdade AND desinformação OR fake news AND desinformação OR desinformação AND pós-verdade

Você vai montar a estratégia e vai replicar nas bases de dados/revistas e etc. 


Passo 7: realização da busca. 

Com todos os critérios acima, basta executar a busca e salvar os resultados. Uma sugestão é sempre salvar em nuvem para que nenhum resultado seja perdido e possa ser acessado remotamente. Um exemplo é o Mendeley, gerenciador de referências, que possibilita o acesso remoto e tem muito espaço para guardar documentos, além de ser um software gratuito. Semelhante ao Mendeley (e meu desconhecido), tem o Zotero. Também existe as nuvens: Google Drive, OneDrive, Dropbox... esses eu não aconselho porque ao longo do tempo espaço se torna um problema e também usamos para outras (tantas) coisas esses espaços. 


Passo 8: definição de critérios para excluir resultados. 

Uma aluna formanda em Biblioteconomia fez o levantamento dela para o TCC e digamos que deu 100 resultados. Desses 100, apenas 20 foram úteis para pesquisa dela. Por quê? Podem ter diversos fatores, mas pode ser só pelo simples fato da relevância. Os outros 80 combinavam as palavras-chave, porém não eram pertinentes para o trabalho dela. Definir o critério de exclusão é bem pessoal, desde que fundamentado. Alguns exemplos de critérios que poderiam ser adotados: duplicidade (trabalhos duplicados nas bases), diferentes idiomas dos requeridos (se aparecer russo, você utilizará? Já coloque os idiomas que irá trabalhar), estudos que não tratem do tema (mas que ainda assim vieram nos resultados, acontece muito!), não tem o texto completo (daqui a pouco só o resumo não vai servir, então delimite isso), etc... O importante é dizer: foi um total de XX artigos, foram escolhidos YY em função dos seguintes critérios A, B, C e D.


Passo 9: anotação de todo o processo. 

Registre tudo!!! Todas as etapas, datas que foram realizadas, todas as informações sobre essa pesquisa é muito relevante. Muitas vezes, a gente entra em um periódico, faz a pesquisa, acha um monte de coisa, MAS não anotou nada e metodologicamente não pode usar. Então, anote tudo. Uma dica bem funcional é criar um excel e documentar com as seguintes informações:  

Data da pesquisa 
Base de dados 
Estratégia 
Resultados (quantidade total) 
Quantos utilizarei (só os que eu salvei de todos os resultados)

Dá também para criar pastas no Mendeley e jogar os resultados pra lá, para depois fazer uma triagem. 


Passo 10 e último passo: LEITURA. 

O que é o mais difícil: LER TUDO ISSO!! Mas é possível! Foque agora para descansar depois!!! O resultado vem e quando vem é muito prazeroso. 


Este é um tutorial com base na experiência da mestranda e também membro do Grupo de Pesquisa InfoCom Bruna Heller, enquanto usuária de fontes de informação e também como bibliotecária para auxiliar nas pesquisas e em nossos levantamentos bibliográficos. Aprecie sem moderação.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Gestão de Projetos em bibliotecas: a Biblioteca ESALQ/USP


Texto por Rachel Lione

Trabalho como bibliotecária na Biblioteca Central USP de Ribeirão Preto, que é uma das 48 bibliotecas do sistema USP e confesso nesses 8 anos de atuação eu pude visitar pouquíssimas bibliotecas da USP. E as oportunidades que tive foram ocasionais, como um intervalo entre um curso que fui realizar em outra unidade ou pela participação em evento. Eu gosto muito de fazer visitas a bibliotecas para sentir o que ela tem de especial, e tentar identificar o propósito da existência daquela biblioteca.

Em dezembro de 2019 tive a oportunidade de conhecer a biblioteca da ESALQ da USP, localizada no campus de Piracicaba. E mais uma vez, essa visita não havia sido programada. Fui participar do Evento SIM organizado pela equipe do MBA USP ESALQ que estou cursando e aproveitei um tempo que tive até o retorno para casa para visitar a Biblioteca da ESALQ.

A intenção era fazer uma visita breve de aproximadamente 1 hora e depois fazer o retorno para Ribeirão Preto, mas fui recebida de forma tão acolhedora, que a minha visita durou 5 horas!

Nesse tempo que estive lá, pude conhecer de forma panorâmica o funcionamento da biblioteca. Além do atendimento amistoso e agradável, pude aprender um pouco da sua gestão, que é um reflexo da gestão da ESALQ, que é feita no modelo de projetos.

De acordo com a definição no site da biblioteca:

“Trata-se de uma estrutura por processos, com formato matricial para desenvolvimento de projetos e de práticas da gestão.”

O que isso quer dizer?

De acordo com o Guia PMBOK, que é considerado a bíblia da gestão de projetos, as estruturas organizacionais podem ser Funcionais, Matriciais ou Projetizadas.

De uma maneira bem simples, as organizações funcionais são aquelas que possuem gestão tradicional, normalmente com estrutura de poder hierárquico e departamentalizado.

Já as projetizadas são as que possuem estrutura de poder horizontal e a equipe trabalha por projetos, e não por departamentos. Esse tipo de gestão é muito utilizado em empresas de tecnologia, como a Google, Spotify etc.

No entanto, há as empresas que estão em transição entre a estrutura Funcional e a Projetizada: são as chamadas matriciais. As matriciais se dividem em 3 tipos:

Matricial Fraca (que está mais próxima da Funcional);

Matricial Forte (que está mais próxima da Projetizada);

e a Matricial Balanceada (que está entre a Matricial Fraca e Matricial Forte).

Para visualizar essa informação, veja a tabela abaixo extraída do Guia PMBOK, 5.ed:

 Clique na figura para aumentar

Sendo assim, a Biblioteca ESALQ define-se como matricial, pois apesar de trabalhar com projetos, faz parte de uma instituição de estrutura funcional. Por isso, contempla tanto a estrutura em departamentos, quanto à estrutura de projetos.

A estrutura matricial pode ser entendida através do organograma:

De uma maneira geral, a Gestão de Processos controla os serviços de rotina da biblioteca utilizando-se de vários indicadores de produtividade, que estão alinhados aos objetivos estratégicos da biblioteca. Já a Gestão de Projetos desenvolve e controla aspectos ligados à inovação dos serviços da biblioteca, que também estão alinhados aos seus objetivos estratégicos.

Essa visita, apesar da ocasionalidade, foi um divisor de águas para mim, pois pude visualizar como uma biblioteca pode trabalhar com gestão de projetos, apesar de estar inserida em uma organização funcional.

Além disso, a Biblioteca ESALQ tornou-se para mim um ideal a ser perseguido, pois une as duas áreas que fazem parte da minha formação (Biblioteconomia e Gestão de Projetos) e com certeza, gostaria de aprender mais com esse modelo de gestão, e quem sabe um dia a Biblioteca ESALQ possa tornar-se uma escola de gestão para outras bibliotecas.

Fonte: Linkedin

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Sesións 1 y 2 Primer Foro Virtual DGB-UNAM “Las Bibliotecas frente a la COVID-19: respondiendo a nueva realidad global”



La Dirección General de Bibliotecas de la Universidad Nacional Autónoma de México invita al Primer Foro Virtual DGB-UNAM “Las Bibliotecas frente a la COVID-19: respondiendo a nueva realidad global”, en el que participarán especialistas en biodeterioro y conservación de patrimonio documental, intercambiando opiniones, casos de éxito y recomendaciones a partir de las circunstancias que enfrenta cada uno en sus países.


terça-feira, 12 de maio de 2020

Relatório SCIVAL USP

Divulgando o Relatório SciVal de desempenho da produção científica de autores da Universidade de São Paulo indexada na Base de Dados Scopus.


Clique na figura



sexta-feira, 8 de maio de 2020

O ciclo de vida dos megajournals


[trad. livre de https://bit.ly/2LijH41]:

Os megajournals são o “coração” do modelo de publicação Open Access (AO), liderando seu crescimento nos últimos 15 anos. Títulos como PLOS ONE e Scientific Reports são grandes sucessos comerciais e de influência. No entanto, o sucesso comercial dos megajournals não é garantido, e seu desempenho a longo prazo tem se mostrado relativamente não confiável, introduzindo incerteza em um setor que tem sido particularmente atraente para os investidores por sua capacidade de gerar crescimento baixo, mas sustentável.

Os megajournals são definidos como journals que são ‘designados para serem muito maiores que um journal tradicional, exercendo baixa seletividade entre os artigos aceitos’, significando que eles não rejeitam artigos por falta de novidade ou expressividade, desde que sejam originais e cientificamente sólidos. Além disso, eles aceitam artigos de várias disciplinas e constituem-se Open Access, cobrando as taxas de processamento de artigos, as APCs - article processing charges.

Três journals que se encaixam nessa definição e tiveram sucesso comercial são PLOS ONe, Scientific Reports e IEEE Access.

Leia o texto original e completo em:

https://scholarlykitchen.sspnet.org/2020/05/07/guest-post-the-megajournal-lifecycle/?informz=1

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Cartilha Informativa


Devido às novas diretrizes da Universidade de São Paulo, referentes às medidas temporárias e emergenciais contra o contágio pela Covid-19, a Prefeitura do Campus USP de Ribeirão Preto (PUSP-RP), com a finalidade de evitar a propagação da doença e promover a garantia da segurança, adotou algumas atitudes.

Dessa forma, para facilitar, principalmente à comunidade acadêmica, a Prefeitura do Campus USP de Ribeirão Preto elaborou uma Cartilha Informativa, reunindo assim essas informações em um único documento.

Na Cartilha Informativa da PUSP-RP, vocês poderão saber mais sobre o funcionamento de alguns dos serviços da Prefeitura do Campus USP de Ribeirão Preto.

Acesse a Cartilha Informativa da PUSP-RP pelo link: