sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Google Acadêmico, Web of Science ou Scopus

Por Ernesto Spinak
Imagem: photoroyalty.
Os pesquisadores geralmente consultam o Google Acadêmico (GA), Web of Science (WoS) e Scopus extensivamente para obter informações e estas são as ferramentas usadas nas avaliações da pesquisa. No artigo “Google Scholar, Web of Science, and Scopus: a systematic comparison of citations in 252 subject categories1, que comentamos nesta nota, foi feita uma avaliação sistemática das diferenças entre elas, com base em uma análise cientométrica de 2.448.055 citações para 2.299 documentos em inglês altamente citados de 252 categorias de áreas do GA publicados em 2006, comparando o GA, a Coleção Núcleo (Core Collection) do WoS e o Scopus.
Como primeiro resultado, antes da avaliação qualitativa, a simples evidência numérica constatou que o GA tem consistentemente o maior percentual de citações em todas as áreas (93%  96%), bem à frente do Scopus (35% – 77%) e do WoS (27% – 73%). O GA encontrou quase todas as citações do WoS (95%) e do Scopus (92%). A maioria das citações encontradas apenas pelo GA vem de fontes não pertencentes a periódicos (48% – 65%), incluindo teses, livros, documentos de conferências e materiais não publicados. Muitos documentos não estavam em inglês (19% – 38%) e tendiam a ser muito menos citados do que fontes que também estavam no Scopus ou no WoS.
O estudo1 enfocou duas questões principais:
1. Quanta sobreposição existe entre o GA, o WoS e o Scopus nas citações encontradas nos documentos acadêmicos e se isso varia de acordo com a área?
Em geral, 46,9% de todas as citações foram encontradas pelas três bases de dados. O GA encontrou a maioria das citações, incluindo a maioria das citações encontradas pelo WoS e o Scopus. Pelo contrário, apenas 6% de todas as citações foram encontradas pelo WoS e/ou pelo Scopus, e não pelo GA. Outros 10,2% de todas as citações foram encontradas pelo GA e o Scopus (7,7%), ou o GA e o WoS (2,5%). Mais de um terço (36,9%) de todas as consultas foram encontradas apenas pelo GA.
O trabalho1 apresenta vários gráficos que ilustram o grau de sobreposição de resultados por área de pesquisa.
2. Os documentos de citações encontrados apenas pelo GA são de um tipo diferente das citações não-únicas do GA, e isso varia de acordo com a área?
Embora as publicações em periódicos continuem sendo o tipo de documento mais frequente, outros tipos de documentos recuperados pelo GA compreendem mais de 50% em todas as áreas, exceto nas Ciências da Saúde e Medicina (48%). O tipo mais frequente de documento não-periódico científico é a tese ou dissertação.

Valor da pesquisa e limitações

O estudo1 analisa uma grande amostra de citações de documentos altamente citados de todas as áreas temáticas publicadas em inglês. Para generalizar os resultados para todos os artigos, deve-se supor que a população de documentos que citam artigos muito citados em outros idiomas e procedências temáticas e geográficas não seja significativamente diferente da população geral de documentos que citam artigos de periódicos.
É claro que a pesquisa1 fornece evidências de que o GA encontra significativamente mais citações do que a Coleção Núcleo do WoS e o Scopus em todas as áreas temáticas. Isso ocorre porque todas as citações encontradas pelo WoS (95%) e pelo Scopus (92%) também foram encontradas pelo GA, que também encontrou um número substancial de citações únicas que não foram encontradas nas outras duas bases de dados. Em Humanidades, Literatura e Artes, Ciências Sociais e Negócios, Economia e Administração, as citações únicas do GA excedem 50% de todas as citações nas mesmas áreas.
Porém, a superioridade meramente numérica é relativizada pelo comentário dos autores, que afirmam em suas conclusões1:
Tomados em conjunto, estes resultados sugerem cautela se o GA for usado em vez do WoS ou do Scopus para avaliação de citações. Sem evidência, não se pode presumir que as contagens mais altas de citações do GA serão sempre mais altas que as do WoS e do Scopus, pois é possível que a inclusão de documentos de qualidade mais baixa reduza o grau em que as contagens de citações reflitam o impacto acadêmico Por exemplo, algumas das citações de dissertações de mestrado podem refletir o impacto educacional. Portanto, dependendo do tipo de avaliação a ser realizada, pode ser necessário remover certos tipos de documentos de citações da contagem de citações, conforme sugerido por Prins, et al. (2016)2.

Notas

1. MARTÍN, A.A., et al. Google Scholar, Web of Science, and Scopus: a systematic comparison of citations in 252 subject categories. Journal of Informetrics [online]. 2018, vol. 12, no. 4, pp. 1160-1177 [viewed 27 November 2019]. DOI: 10.1016/J.JOI.2018.09.002. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1751157718303249
2. PRINS, A.A.M., et al. Using Google Scholar in research evaluation of humanities and social science programs: A comparison with Web of Science data. Research Evaluation [online]. 2016, vol. 25, no. 3, pp. 264–270 [viewed 27 November 2019]. DOI: 10.1093/reseval/rvv049. Available from: https://academic.oup.com/rev/article/25/3/264/2364634

Referências

MARTÍN, A.A., et al. Google Scholar, Web of Science, and Scopus: a systematic comparison of citations in 252 subject categories. Journal of Informetrics [online]. 2018, vol. 12, no. 4, pp. 1160-1177 [viewed 27 November 2019]. DOI: 10.1016/J.JOI.2018.09.002. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1751157718303249
PRINS, A.A.M., et al. Using Google Scholar in research evaluation of humanities and social science programs: A comparison with Web of Science data. Research Evaluation [online]. 2016, vol. 25, no. 3, pp. 264–270 [viewed 27 November 2019]. DOI: 10.1093/reseval/rvv049. Available from: https://academic.oup.com/rev/article/25/3/264/2364634
Traduzido do original em espanhol por Lilian Nassi-Calò.

Como citar este post [ISO 690/2010]:
SPINAK, E. Google Acadêmico, Web of Science ou Scopus, qual nos dá melhor cobertura de indexação? [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 [viewed 29 November 2019]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/11/27/google-academico-web-of-science-ou-scopus-qual-nos-da-melhor-cobertura-de-indexacao/


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Semana do Perdão na BCRP 2019

Como parte da programação da XXII Semana do Livro e da Biblioteca na USP e Semana Internacional do Acesso Aberto 2019, a BCRP realizou a Semana do Perdão, onde os alunos que possuíam suspensão no empréstimo de livros puderam aboná-la em troca de doações de alimentos ao GATMO – Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Óssea.
Foram arrecadados:
30 Kg de arroz
6 kg de feijão
2 kg de açúcar
2kg de sal
2,5 kg de macarrão
0,5 kg de farofa
3,6 L de óleo de soja
3,7 kg de molho de tomate
2,5 kg café
1 caldo de tempero
As doações foram entregues no GATMO no dia 20 de novembro.






A equipe da BCRP agradece a todos os alunos que participaram dessa ação solidária!  


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Elaboração da questão de pesquisa para revisão sistemática

O doutorando Samir Abjaude do Centro de Pesquisa em Assistência Farmacêutica e Farmácia Clinica da FCFRP-USP, junto com a bibliotecária Márcia Santos da Biblioteca Central do Campus USP Ribeirão Preto elaboraram o vídeo Elaboração da questão de pesquisa para revisão sistemática, um tutorial completo de como montar uma pergunta de revisão sistemática.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte II

Fonte: https://www.sibi.usp.br/?p=40786

Considerando a importância de aprofundarmos os conhecimentos a respeito do conceito e os desafios da Ciência Aberta, reproduzimos aqui a matéria publicada recentemente no Blog SciELO em duas partes, de autoria de Abel L Packer e Solange Santos1

Acesso aberto aos artigos

Imagem adaptada da original por Markus Spiske.


Uma das práticas da Ciência Aberta que nos é familiar é o Acesso Aberto aos textos dos artigos disponibilizados publicamente na web, seja pelos periódicos na modalidade conhecida como Acesso Aberto Dourado ou pelos próprios autores em seus websites, em repositórios institucionais ou temáticos, logo após a publicação do artigo ou após um período de seis ou doze meses de embargo imposto pelo periódico, modalidade que e conhecida como Acesso Aberto Verde. O principal modelo de autofinanciamento ou comercialização utilizados pelos periódicos de acesso aberto dourado e a cobrança dos autores de uma taxa de publicação, popularizada internacionalmente como Article Processing Charge (APC). A maioria dos periódicos de acesso por assinatura publicam também parte dos artigos em acesso aberto com a cobrança de APC, modalidade denominada híbrida. Os valores mais frequentes da APC variam de US$1500 a US$5000.
Adotado pioneiramente há mais de 20 anos no Brasil pelo SciELO e em anos seguintes por 13 outros países (Figura 1) e consolidado globalmente como uma modalidade de comunicação científica, o Acesso Aberto sinaliza a viabilidade das demais práticas da Ciência Aberta, porém não sem desafios. Sua adoção generalizada enfrenta ainda forte resistência das editoras comerciais que buscam um modelo de negócios com retorno financeiro igual ou maior do que obtêm com o acesso restrito por assinaturas.

Figura 1. Rede SciELO – evolução do número de periódicos indexados e ativos por 14 coleçõesnacionais certificadas, entre 1997 e 2018. Fonte:  SciELO/PACKER, A.L., Agosto/2018

Entretanto, os desafios que enfrenta a universalização do Acesso Aberto envolvem todo o sistema científico. A validação dos artigos que descrevem as pesquisas e realizada pelos periódicos com a colaboração de pesquisadores (pares) especialistas. Entretanto, esta qualificação da avaliação nas diferentes áreas e associada ao prestígio ou impacto dos periódicos, quase sempre medido por indicadores bibliométricos anuais das citações por artigo. Assim, não obstante as críticas generalizadas, os periódicos e seu ranqueamento operam como proxy da qualidade das pesquisas que publicam, e o seu prestígio ou impacto e estendido aos pesquisadores-autores, seus programas de pós-graduação, departamentos, universidades, países, regiões do mundo. Como a maioria dos periódicos melhor ranqueados pelos indicadores bibliométricos são comercializados pelas editoras, estas gozam de muito poder junto as comunidades de pesquisa para resistir ao avanço do acesso aberto e, portanto, da Ciência Aberta.

Rapidez e transparência na comunicação das pesquisas – rumo aos preprints

Incorporado como bandeira do movimento da Ciência Aberta, é crescente o questionamento dos periódicos pela demora e falta de transparência no processo de avaliação de manuscritos, muitas vezes referido como “caixa preta” e sem salvaguardas explícitas de vieses a favor ou contra dos autores por atitudes e decisões influenciadas por sua origem geográfica, nacionalidade, etnia, gênero, idade, escolas de pensamento, etc. O caminho principal é a abertura que inclui a publicação continua, a adoção de preprints e a avaliação aberta de pares como estágio mais avançado.
Na publicação on-line clássica, muitos periódicos minimizam o tempo de processamento publicando os manuscritos logo após a aprovação em versão provisória, sem nenhuma edição, ou utilizam a chamada publicação continua de artigos individuais, logo após aprovados e editados, com um número de identificação que substitui a paginação. A publicação continua existe há cerca de 20 anos, mas se popularizou com os mega journals que operam como plataforma de artigos, como nos casos da PLOS ONE e Scientific Reports. O SciELO recomenda fortemente que todos os periódicos adotem a publicação contínua.
Entretanto, a demora na publicação de artigos de resultados de pesquisas é resolvida completamente ao iniciar-se o fluxo de comunicação com os manuscritos disponibilizados como preprints, em acesso aberto, antes ou em paralelo à submissão a periódicos. Além de acelerar a comunicação dos resultados da pesquisa, os preprints, enquanto documentos formais com DOI (Digital Object Identifier) e preservados, asseguram aos autores precedência de descobrimentos, novas ideias e processos e ainda permitem o melhoramento dos manuscritos, antes ou durante o processo de avaliação por um periódico ao permitir a geração de sucessivas versões aprimoradas a partir de comentários e sugestões recebidas no servidor de preprints. São também passíveis de citação e de registro no currículo dos pesquisadores para informar solicitações e relatórios de auxílios. Uma vez aceito por um periódico, o preprint é atualizado com uma observação de que foi aprovado e um link para o artigo publicado. É crescente também a exposição de artigos já publicados a comentários públicos, facilidade que se caracteriza como avaliação pós-publicação.
O SciELO e o Public Knowledge Project (PKP), responsável pelo Open Journal Systems (OJS) estabeleceram, em 2018, uma pareceria para o desenvolvimento de um sistema com vistas a implantação de um servidor de preprints. O objetivo é que atenda a todas as áreas temáticas, na perspectiva de fortalecer o fluxo de alimentação dos periódicos que indexa com manuscritos de melhor qualidade, sem atrasos na comunicação das pesquisas. Internacionalmente, existem vários servidores de preprints já consolidados como o arXiv, criado em 1991 e que atualmente cobre áreas de física, matemática, ciências da computação e seis outras áreas; o bioRxiv e o PeerJ, criados em 2013 para as áreas de ciências biológicas; o SSRN, criado em 1994 para Ciências Sociais, Humanidades e outras disciplinas e a OSF Preprints, que opera uma coleção de mais de 20 servidores de preprints, etc.
Quanto à transparência da avaliação por pares, um número ainda pequeno, porém crescente de periódicos oferece opções de abertura progressiva aos editores, autores e pareceristas. O SciELO recomenda as seguintes opções de avanço gradual de transparência e abertura: inclusão no texto do artigo publicado do nome do editor responsável pela avaliação e aprovação; publicação de pareceres de artigos aprovados como texto de comunicação científica com DOI; e, abertura das identidades dos autores e pareceristas durante o processo de avaliação. Entretanto, os periódicos do Brasil ainda veem com muita reserva a adoção da abertura plena da avaliação de manuscritos como é feita pela plataforma de publicação F1000 Research.

Linhas de Ação para os próximos anos

Todos os atores e instâncias da pesquisa são chamados a posicionar-se política e operacionalmente frente aos desafios e, especialmente, as vantagens e ganhos que a adoção da Ciência Aberta significara para os respectivos entornos, assim como suas interdependências, nas quais a participação e cooperação internacional têm um papel decisivo. A renúncia a posicionar-se frente as complexidades e ficar no aguardo do que está por vir pode ser cômodo inicialmente, mas pode também reduzir ganhos, afastar-se do estado da arte e atrasar-se na curva de aprendizagem das práticas de Ciência Aberta.
As áreas temáticas mais internacionalizadas estão condicionadas ao ritmo de adoção da Ciência Aberta, ditadas pelos organismos de ciência e tecnologia, sociedades científicas e editoras comerciais dos países desenvolvidos. As menos internacionalizadas deverão ditar seu próprio ritmo, o que abre um campo de ajustes e inovações das estruturas de pesquisa. Entretanto, para ambos os contextos, o posicionamento proativo das autoridades, de políticas públicas e institucionais de pesquisa é essencial para avançar na aprendizagem e defender pautas de interesse nacional.
Os pesquisadores, enquanto responsáveis pela formulação e execução de projetos de pesquisa, são, ao mesmo tempo, os atores mais importantes e os que mais dependem de outros atores e instâncias no processo de adoção da Ciência Aberta, com destaque para a liderança dos periódicos, que, em número crescente, conduzem os pesquisadores a cumprir exigências de práticas da Ciência Aberta em suas políticas e procedimentos editoriais. A proatividade dos pesquisadores dependerá também das políticas de financiamento e dos sistemas de avaliação da pesquisa, na eventualidade de passarem a exigir ou premiar a obediência as práticas da Ciência Aberta.
Os sistemas de bibliotecas das universidades e institutos vêm desempenhando um papel de liderança na adoção das práticas de Ciência Aberta, especialmente na sua disseminação na operação de repositórios de dados de pesquisa.
No curso de adoção da Ciência Aberta, vale lembrar, em primeiro lugar, que a apropriação das inovações que ela traz, conforma um processo complexo política, social, financeira e operacionalmente, que demandará meses de aprendizagem e anos de experiências, com ajustes sucessivos até que se torne o modus operandi predominante da pesquisa. Depois, vale lembrar que se trata de um empreendimento global que abarcará progressivamente todos os países, disciplinas e áreas temáticas, mas cujo desenvolvimento embutira um sem-número de contextualizações. Nesse sentido, o desafio maior para as autoridades e as comunidades de pesquisa do Brasil e definir e implantar linhas de ação para situar-se oportunamente no avanço nacional e global da Ciência Aberta, com foco no fortalecimento e ampliação de capacidades e infraestruturas adequadas as condições e prioridades de cada entorno.
Entre as primeiras linhas de ação, destaca-se, por um lado, a promoção nas diferentes comunidades do mais amplo entendimento do que é a Ciência Aberta em toda a sua extensão, como afetará a todos e a cada um e, principalmente, como enriquecera a capacidade científica e as prioridades de cada contexto. Por outro, a promoção de diálogos para a formulação de posicionamentos públicos das comunidades de pesquisa sobre o alinhamento com as práticas da Ciência Aberta. O entendimento e a construção progressiva de consensos a favor das boas práticas da Ciência Aberta nos diferentes contextos são condição e meios para a superação das resistências e posicionamento proativo.

 
Arte usada durante a Conferência SciELO 20 Anos

Nota

1. Esse post foi originalmente publicado no Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e dividido em duas partes para publicação no blog SciELO em PerspectivaVeja a Parte I aqui.

Referências

ALBAGLI, S., MACIEL, M.L. and ABDO, A.H. (org.). Ciência Aberta, questões abertas. Brasília: Ibict; Rio de Janeiro: Unirio, 2015 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://bit.ly/2o2b6c4
BENEDIKT, F. and SASCHA, F. Open Science: One Term, Five Schools of Thought. In: BENEDIKT, F. and SASCHA, F. (eds) Opening Science. Cham: Springer, 2014 [viewed 1 August 2019]. DOI: https://doi.org/10.1007/978-3-319-00026-8_2
MONS, B. Data Stewardship for Open Science: Implementing FAIR Principles. Boca Raton: CRC Press, 2018. Available from: https://bit.ly/2uVb47z
PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência Aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 2019, vol. 45, no. 1, pp. 17-24 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.sbcs.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Boletim-SBCS-Volume-45-N%C3%BAmero-1.pdf
SANTOS, P.X., et al. Livro Verde – Ciência Aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2017 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24117
SciELO – Linhas prioritárias de ação 2019-2023 [online]. SciELO 20 Anos. 2018 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.scielo20.org/redescielo/wp-content/uploads/sites/2/2018/09/Líneas-prioritaris-de-acción-2019-2023_pt.pdf
WILKINSON, M. D., et al. The FAIR guiding principles for scientific data management and stewardship. Scientific Data [online]. 2016, vol. 1, no. 3 [viewed 1 August 2019]. DOI: 10.1038/sdata.2016.18. Available from: https://www.nature.com/articles/sdata201618

Links externos

O que é Ciência Aberta? – Formação Modular em Ciência Aberta <https://campusvirtual.fiocruz.br/gestordecursos/mod_hotsite/ciencia-aberta>
Research Data Alliance <https://rd-alliance.org/>
Como citar este post [ISO 690/2010]:
PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte II [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 [viewed 14 September 2019]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-ii/

Fonte: https://www.sibi.usp.br/?p=40786

Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte I


Fonte:  https://www.sibi.usp.br/?p=40780

Considerando a importância de aprofundarmos os conhecimentos a respeito do conceito e os desafios da Ciência Aberta, reproduzimos aqui a matéria publicada recentemente no Blog SciELO em duas partes, de autoria de Abel L Packer e Solange Santos1

Imagem adaptada da original por Markus Spiske.

A Ciência Aberta pleiteia uma transformação considerável essencialmente enriquecedora do tradicional modus operandi de fomentar, projetar, realizar e, particularmente, comunicar pesquisa. O objetivo é privilegiar a natureza colaborativa da pesquisa e democratizar o acesso e uso do conhecimento científico. Ela abarca um conjunto de práticas, entre as quais, destacamos:
  • disponibilização em acesso aberto dos dados, métodos de análise e códigos de programas e outros materiais utilizados na pesquisa, assim como dos resultados obtidos para viabilizar a preservação, reprodutibilidade e reusabilidade dos dados;
  • rapidez na comunicação dos artigos como fator chave no avanço do conhecimento científico, mediante a adoção da modalidade preprint, que é uma versão completa do artigo científico depositada pelos autores em um servidor público de preprints, antes do envio a um periódico para avaliação da publicação. Os preprints se posicionam assim, como início formal do fluxo de publicação dos artigos e dotam os autores de maior controle da comunicação;
  • transparência e abertura progressiva nos processos de avaliação de manuscritos por pares envolvendo relações e interações entre autores, editores e pareceristas.
Embora conceitos de Ciência Aberta sempre estiveram presentes na evolução da ciência, o movimento atual é produto da web e, mais precisamente, da sua capacidade de promover a desintermediação nos processos de acesso e comunicação de informação e a interoperabilidade entre conteúdos.

A natureza da Ciência e aberta

As fundamentações, análises e visões críticas do conceito e dos movimentos em prol da Ciência Aberta apontam como eixo comum o aperfeiçoamento do funcionamento da ciência segundo várias dimensões, prioridades ou escolas de pensamento. Em particular, o enriquecimento do modus operandi de comunicar pesquisas tem como foco principal o aperfeiçoamento da aplicação do método científico em prol da geração confiável de novos conhecimentos, que se traduz na condução de pesquisas informadas e reprodutíveis, obedientes a padrões éticos e que favoreçam o retorno dos investimentos recebidos. Este retorno é uma reivindicação das agências financiadoras de pesquisa que desejam fomentar a abertura dos métodos e dados das pesquisas para uso de outras investigações, processos e objetos educacionais, inovações tecnológicas, aplicações profissionais, educação continuada e outros usos. Ou seja, o amplo acesso às fontes de conhecimento envolvidas e produzidas pelas pesquisas tem o intuito de maximizar a razão de ser da ciência enquanto empreendimento cooperativo cultural e social.


Figura 1. Um guarda-chuva abarcando as práticas independentes tornou-se a mais popular entre as imagens de representação do conceito de Ciência Aberta. Fonte: FIOCRUZ, 2019, O que é Ciência Aberta?, disponível em: https://bit.ly/2G8OwXc

Assim, por um lado, a Ciência Aberta fortalece as redes de colaboração entre pesquisadores em prol do avanço do conhecimento no universo das disciplinas e da ciência em geral. Por outro lado, promove a função social da ciência no aporte de entendimentos e soluções às grandes questões que afetam o presente e futuro da humanidade, que estão cuidadosamente sistematizadas na declaração dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançada em 2015 e aprovada por 193 países, sob a liderança das Nações Unidas, e conhecida como Agenda 2030 (veja a Figura 2).



Figura 2. Agenda 2030 – 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Fonte: ALEXOVICH, A. e SAMAAN, M., disponível em: https://bit.ly/2tq3HV1

Em muitos sentidos, os ODS e a Ciência Aberta são políticas contemporâneas e globais que convergem na busca de melhores condições de vida e proteção do meio ambiente. Essa convergência constitui fator chave na governança global e na interação com suas múltiplas contextualizações regionais, nacionais, locais e temáticas, com destaque para a capacidade de influenciar políticas públicas com as melhores evidências científicas disponíveis, empoderar a sociedade democrática e solidária, inclusive para a identificação e rejeição das fake news e seus efeitos destrutivos, assim como para rejeitar movimentos que negam a ciência, alguns especialmente perniciosos como a refutação dos efeitos das mudanças climáticas, eficiência das vacinas, além de tolices como o terraplanismo.
A difusão e discussão sobre os significados da Ciência Aberta, os desafios que a sua adoção impõe e, principalmente, as vantagens e ganhos que propicia têm crescido no cenário científico internacional e nacional. Tudo indica que o ritmo de adoção das suas práticas será agilizado no futuro próximo. Este fato foi registrado em levantamento recente sobre a implantação da Ciência Aberta na União Europeia e em oito outros países, elaborado pela Fiocruz e publicado como livro verde2. Ha também um crescente número de fontes de informação que advogam a adoção da Ciência Aberta, disponíveis na web, como cursos de capacitação, websites, fóruns, etc. orientados a pesquisadores e outros atores.
O governo brasileiro, no contexto da parceria internacional que ajudou a criar, em 2011, a Parceria do Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP), e de seu calendário de implantação, lançou em 2018, o 4° Plano de Ação Nacional em Governo Aberto, composto de onze compromissos. O terceiro trata da Inovação e Governo Aberto na Ciência, mais especificamente com o “estabelecimento de mecanismos para a governança de dados científicos”, compromisso que, vale lembrar, é associado ao ODS 9.5 de avanço da pesquisa e de capacidades tecnológicas. Tal compromisso é estruturado em nove marcos de execução, sob a coordenação da Embrapa, e conta com a participação de organismos federais de Ciência e tecnologia (Capes, CNEN, CNPq, Embrapa, Fiocruz e IBICT) e de atores da sociedade civil, com destaque para a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC) e o Programa SciELO/FAPESP no campo da comunicação científica (Figura 3).



Figura 3. Parceria para Governo Aberto: o 4º Plano de Ação Brasileiro tem como terceiro compromisso a inovação e Governo Aberto na Ciência, com nove marcos de execução.

Marcos de execução: 1. Implantação de uma rede interinstitucional pela Ciência Aberta 2. Realização de diagnóstico nacional e internacional da Ciência Aberta 3. Definição de diretrizes e princípios para políticas institucionais de apoio à Ciência Aberta 4. Promoção de ações de sensibilização, participação e capacitação em Ciência Aberta 5. Articulação com agências de fomento para a implantação de ações de apoio à Ciência Aberta 6. Articulação com editores científicos para a implantação de ações em apoio à Ciência Aberta 7. Implantação de infraestrutura federada piloto de repositórios de dados de pesquisa 8. Proposição de padrões de interoperabilidade para repositórios de dados de pesquisa 9.Proposição de conjunto de indicadores para aferição da maturidade em Ciência Aberta
Na reunião da Rede SciELO, ocorrida durante as comemorações dos 20 anos do SciELO, em setembro de 2018, foram aprovadas as linhas de ação3 para os próximos cinco anos e que contemplam a adoção progressiva das práticas de comunicação da Ciência Aberta.

A pesquisa compartilhada

O aspecto central da almejada qualificação de “aberta” para a ciência é o da capacidade de comunicação permeando todos os processos e conteúdos do ciclo da pesquisa, o que, vale repetir, resgata e promove a natureza colaborativa do empreendimento científico na criação de novos conhecimentos. Esta abertura ampla e informada caracteriza o conhecimento científico como bem público global e inclusivo, geográfica, temática e socialmente. A abertura implica em que a formulação e a execução dos projetos de pesquisa contemplem a gestão do registro cuidadoso e padronizado dos processos, métodos, materiais e dados com vistas à sua disponibilização pública e legível, tanto para humanos como para computadores. Este registro é a garantia da integridade da comunicação dos resultados. Há casos mais avançados em que o processo propriamente dito é aberto, como nos cadernos abertos de laboratório.
Conceitualmente, fazer com que a comunicação permeie todo o ciclo da pesquisa é tão ou mais importante que o tradicional e isolado ato final da redação e comunicação dos resultados por meio de um ou mais artigos publicados em periódicos. Além de assegurar a consistência de toda a pesquisa, permitir o reuso e facilitar avaliações, a disponibilização dos dados das pesquisas – em servidores públicos confiáveis – assegura sua preservação e evita a tendência de perda progressiva dos dados com o passar dos anos, quando mantidos sob a guarda dos pesquisadores ou de ambientes não sustentáveis.
A capacidade de comunicação em todo o ciclo da pesquisa se traduz em transparência e exposição da execução da pesquisa a controles de qualidade automatizados, de pares e do público no que diz respeito ao rigor metodológico e a padrões éticos. Tudo isso contribui para minimizar erros e más condutas, tais como plágio, conflitos de interesse, dados falsificados, comprometimento da avaliação por pares e falsas atribuições de autorias.

A gestão e compartilhamento de dados da pesquisa

A prática de dados abertos e formalizada pela gestão de dados como parte integral dos projetos, ou seja, do início ao final do ciclo da pesquisa. Inicia-se com um plano de gestão de dados que integra a proposta do projeto de acordo com instruções da agência de financiamento ou da instituição. Um exemplo e o serviço do website <https://dmptool.org/>, do Centro de Curadoria da Universidade da Califórnia (University of California Curation Center, UC3) da Biblioteca Digital da Califórnia (California Digital Library) que guia o pesquisador na preparação de planos de gestão de dados segundo diferentes modelos.
A gestão de dados é uma função estruturante da execução qualificada da investigação dos objetivos da pesquisa, dos métodos adotados, dos achados e da sua capacidade de comunicação. Inclui os processos de criação ou coleta, controle de qualidade, estruturação, armazenamento e disponibilização dos dados utilizados na pesquisa, sejam eles gerados pelo próprio projeto ou reusados de outras fontes. Os guias, metodologias, ferramentas e serviços de gestão de dados pressupõem quase sempre o uso de suporte digital.
O objetivo é planejar, viabilizar e facilitar, por um lado, o entendimento e avaliação da correta execução da pesquisa, validação dos resultados e sua reprodutibilidade, e, por outro lado, o compartilhamento dos dados visando seu reuso. Aqui o conceito de dados pode abranger também as ferramentas metodológicas e códigos de programas.
Desde a sua publicação no Scientific Data, em 2016 os “Princípios FAIR para gestão e administração de dados científicos”4 (FAIR Guiding Principles for scientific data management and stewardship) se fundiram progressivamente como um guia consensual de referência para a organização e disponibilização eficientes dos dados de pesquisas e também das funcionalidades dos servidores. Por FAIR entenda-se: Findable – Encontrável, Accessible – Acessível, Interoperable – Interoperável, Reusable – Reusável. A iniciativa Global Open FAIR (GO FAIR) compreende redes de implementação dos princípios FAIR com a perspectiva do desenvolvimento da Internet de Dados e Serviços FAIR (Internet of FAIR Data & Services, IFDS). O Brasil iniciou sua participação com a GO FAIR Brasil Saúde, com a rede de implantação dos princípios FAIR nas ciências da saúde, sob a liderança da Fiocruz.
Na gestão FAIR dos dados, os pesquisadores depositam, em um servidor, um conjunto de dados estruturados por três componentes seguindo a arquitetura de objetos digitais: um identificador persistente como o DOI (Digital Object Identifier), os dados e os metadados. Os metadados são, em geral dependentes da área temática e descrevem os dados com identificação padronizada de autoria, título, descrição, palavras-chaves, elementos de dados, localização, etc., tornando-os fontes citáveis. Sempre que apropriado, os autores devem escrever um artigo de dados (data articles), fornecendo o detalhamento dos dados, sua proveniência, curadoria e possibilidades de análises e limitações de uso, que é outra fonte passível de citação. Por último, preparam um ou mais artigos textuais de pesquisa com as análises dos dados, descrição e discussão de resultados. Assim, com dados abertos, os autores podem ampliar os canais de comunicação das pesquisas com pelo menos três fontes citáveis: os dados, os artigos dos dados e os artigos narrativos. Os dados em geral são abertos após a publicação dos artigos. Em casos justificados de preservação de privacidade e necessidade de sigilo temporário ou definitivo os dados não são abertos. No contexto da Ciência Aberta, aos comitês de ética caberá também a orientação sobre quais tipos de dados devem ou não ser abertos.
Como a gestão de dados de pesquisa é altamente dependente das disciplinas e áreas temáticas, as sociedades científicas e associações de programas de pós-graduação são chamadas a desenvolver programas de disseminação, treinamento e guias de orientação das práticas de gestão de dados para suas respectivas comunidades de pesquisa.
Internacionalmente, os periódicos estão adotando em suas políticas editoriais e critérios de avaliação de manuscritos controles sobre os dados de pesquisa, assim como códigos de programas e outros materiais que justificam as afirmações e resultados obtidos. Um aspecto chave do controle são as normas de citação que, de modo geral, seguem a mesma estrutura de citação de literatura científica. A Data Cite é uma organização de referência para as questões metodológicas de citações de dados. Ela opera também o catálogo R3Data de repositórios de dados de pesquisa e que serve de fonte para os periódicos definirem os repositórios que são aceitáveis. Os periódicos contam também com as Diretrizes TOP (Transparency and Openness Promotion) do Center for Open Science (COS) que servem de guia para definir um caminho de adoção gradual da gestão de dados estruturados em oito critérios distintos e três níveis de implantação. No Brasil, o SciELO adotou as Diretrizes TOP nas linhas de ação de alinhamento com a Ciência Aberta. Para o conjunto dos periódicos do Brasil, a liderança da ABEC em prol da atualização das políticas editoriais será decisiva. Os pesquisadores que seguem as normas de gestão de dados têm condições de atender às demandas dos periódicos sem problemas.
As agências de financiamento passam a exigir, nos critérios de avaliação de pedidos de auxílios, o plano de gestão de dados como parte do projeto de pesquisa. A FAPESP iniciou esta exigência em novembro de 2018, inicialmente para os Projetos Temáticos. Atualmente também está promovendo uma rede de gerenciamento de dados envolvendo as sete universidades públicas do estado. Da mesma forma, a gestão de dados de pesquisa incluindo o uso de repositórios passa a fazer parte das políticas de pesquisa das universidades e instituições de pesquisa.

Notas

1. Esse post foi originalmente publicado no Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e dividido em duas partes para publicação no blog SciELO em PerspectivaVeja a Parte II aqui.
2. SANTOS, P.X., et al. Livro Verde – Ciência Aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2017 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24117
3. SciELO – Linhas prioritárias de ação 2019-2023 [online]. SciELO 20 Anos. 2018 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.scielo20.org/redescielo/wp-content/uploads/sites/2/2018/09/Líneas-prioritaris-de-acción-2019-2023_pt.pdf
4. WILKINSON, M. D., et al. The FAIR guiding principles for scientific data management and stewardship. Scientific Data [online]. 2016, vol. 1, no. 3 [viewed 1 August 2019]. DOI: 10.1038/sdata.2016.18. Available from: https://www.nature.com/articles/sdata201618

Referências

ALBAGLI, S., MACIEL, M.L. and ABDO, A.H. (org.). Ciência Aberta, questões abertas. Brasília: Ibict; Rio de Janeiro: Unirio, 2015 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://bit.ly/2o2b6c4
BENEDIKT, F. and SASCHA, F. Open Science: One Term, Five Schools of Thought. In: BENEDIKT, F. and SASCHA, F. (eds) Opening Science. Cham: Springer, 2014 [viewed 1 August 2019]. DOI: https://doi.org/10.1007/978-3-319-00026-8_2
MONS, B. Data Stewardship for Open Science: Implementing FAIR Principles. Boca Raton: CRC Press, 2018. Available from: https://bit.ly/2uVb47z
PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência Aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 2019, vol. 45, no. 1, pp. 17-24 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.sbcs.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Boletim-SBCS-Volume-45-N%C3%BAmero-1.pdf
SANTOS, P.X., et al. Livro Verde – Ciência Aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2017 [viewed 1 August 2019]. Available from: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24117
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WILKINSON, M. D., et al. The FAIR guiding principles for scientific data management and stewardship. Scientific Data [online]. 2016, vol. 1, no. 3 [viewed 1 August 2019]. DOI: 10.1038/sdata.2016.18. Available from: https://www.nature.com/articles/sdata201618

Links externos

O que é Ciência Aberta? – Formação Modular em Ciência Aberta <https://campusvirtual.fiocruz.br/gestordecursos/mod_hotsite/ciencia-aberta>
Research Data Alliance <https://rd-alliance.org/>
Como citar este post [ISO 690/2010]:
PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ciência aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte I [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 [viewed 14 September 2019]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i/