sexta-feira, 8 de maio de 2015

A introdução do artigo: mais importante do que você pensa!

Editores e revisores de periódicos buscam  por novidade,  relevância e artigos significativos para seu público quando leem os papers submetidos a eles. O abstract pode sinalizar essas características, mas não provê espaço para que estas possam ser comprovadas. A introdução é o lugar para isso. É apresentado aqui, um resumo para ajudar os pesquisadores a melhorarem a introdução de seus artigos (com base em estudos de Linguística Aplicada).


Os 6 estágios no desenvolvimento do seu argumento na introdução

Sim, você está escrevendo um argumento. Seu objetivo é convencer seu leitor que o estudo que você conduziu é novo, traz uma questão relevante para a área e por isso é importante. A Linguística Aplicada  identificou 6 estágios no processo de argumentação cujo uso ajudará os autores a alcançarem seus objetivos com sucesso. É importante notar que a ordem de uso nem sempre acontece conforme a lista abaixo:

1-Apresentar o contexto (background) da sua pesquisa, explicando sua importância para a área e para os leitores do periódico.

2-Apresentar o embasamento teórico existente oriundo dos trabalhos de outros pesquisadores sobre o problema que você levantou.

3- Indicar a necessidade de mais investigação a fim de preencher/esclarecer  gaps deixados pelos trabalhos anteriores; ou criar um nicho de pesquisa no qual seu trabalho venha de encontro.

4- Aqui trazemos três alternativas, dependendo do seu campo de pesquisa e das convenções do periódico:

a)   Declarar os propósitos /objetivos do estudo.

b)   Delinear a atividade principal do artigo, por ex.: “Aqui nós analisamos... e investigamos...”

c)   Resumir os resultados do trabalho (recurso usado somente em algumas áreas de pesquisa e adotado por alguns periódicos).

5- Opcionalmente selecione pontos positivos ou benefícios que a pesquisa traz.

6- Algumas áreas de pesquisa incluem um mapa de como o resto do artigo está organizado.

Outro ponto a considerar, caso você ache necessário, é a leitura de artigos recentes publicados no periódico em que você deseja submeter seu paper. Essa é uma estratégia importante quando se está preparando um manuscrito para submissão: analisar artigos bem citados do “periódico alvo”.


Use o processo de escrita para deixar sua argumentação clara.

A experiência no uso dos estágios acima citados indica que começando a escrever a introdução pelo estágio 4 você poupará tempo na empreitada de conseguir uma argumentação realmente efetiva - pois iniciá-la a partir desse ponto o ajudará a mapear quais serão as evidências que você precisará para os outros estágios.

O estágio 4 deve ser escrito a partir de análises e interpretações dos seus resultados no contexto da pesquisa. Certifique-se que as sentenças escritas nesse estágio estejam compreensíveis e incluam todos os parâmetros que tornam seu trabalho novo e significante. Uma vez que você e seu (s) coautor (res) estejam satisfeitos com o que foi escrito, escreva um estágio 3 claro e coerente – não deixando que seus leitores adivinhem ou façam suposições sobre os gaps que você está objetivando preencher ou sobre o problema que você está identificando.

Por meio dos estágios 3 e 4 você poderá levantar os termos chave que precisarão ser introduzidos nos estágios iniciais da introdução, sempre obedecendo um fluxo lógico, e escrevendo do modo mais claro possível – a fim de atrair os leitores do periódico já no início do seu artigo.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Perfil da Enfermagem no Brasil

A enfermagem hoje no país é composta por um quadro de 80% de técnicos e auxiliares e 20% de enfermeiros. 

A conclusão é da pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (6/5), em Brasília, cujos resultados também apontam desgaste profissional em 66% dos entrevistados e grande concentração da força de trabalho na Região Sudeste (mais da metade das equipes consultadas). O mais amplo levantamento sobre uma categoria profissional já realizado na América Latina é inédito e abrange um universo de 1,6 milhão de profissionais. O estudo foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e a coordenação-geral ficou a cargo da ENSP/Fiocruz.

Leia a matéria completa:

Pesquisa inédita traça perfil da enfermagem no país


segunda-feira, 27 de abril de 2015

A proliferação de métricas falsas e como identificá-las

Ao receber uma carta dizendo que sua publicação foi avaliada e aceita para ser incluída numa nova base indexadora mediante o pagamento de x quantia, você deve comemorar ou desconfiar que é uma fraude?

Recentemente vêm ocorrendo uma proliferação de métricas falsas para ranqueamento de periódicos científicos. A autora cita dois artigos que discutem esse problema. O primeiro artigo publicado na Bioessays, de Gutierrez, Beall e Forero, atribui esse fenômeno ao crescimento de publicações periódicas predatórias, com práticas científicas questionáveis, as quais precisam de uma boa posição em rankings de avaliação para aparentarem uma boa reputação.
O segundo artigo, publicado na The Scholarly Kitchen, de Phil Davis, também reconhece esse problema, acreditando que o uso de tais métricas corrói a credibilidade de todas as demais métricas, tanto as respeitáveis quanto as predatórias. Os dois artigos esboçam as causas e as consequências dessas métricas espúrias dentro da indústria de publicações acadêmicas, surgindo daí a questão sobre como podemos identificá-las.

Para os editores não afiliados às grandes editoras – já bastante familiarizadas aos procedimentos para alimentação de bases de dados, reconhecendo assim com mais facilidade a fraude – existem alguns passos a serem observados antes de aceitar a  inclusão de sua publicação numa nova base indexadora:

Pesquise a Companhia

Uma simples busca na internet encontrará opiniões de outros editores a respeito  de uma nova métrica em particular. Busque e explore o seu site: qual sua história? Tem endereço ou contato para correções de dados?

É solicitado pagamento adiantado?

Pouquíssimas métricas de boa reputação pedirão uma taxa para indexar (e utilizar a métrica) em uma revista, pois indexar um conteúdo de qualidade melhora o valor da base; e, em contrapartida,  a menção à métrica  no site da revista providenciará tráfego direto para eles. Assim, seja cauteloso ao pedirem pagamento.

A base divulga a fórmula matemática da sua métrica?

Saber que a sua publicação possui o fator x (nº qualquer) sem conhecer o cálculo da métrica, ou o seu significado no contexto de outras revistas indexadas, faz com que esse número seja inútil. Assim, eles precisam explicar como calculam esse número e esse cálculo precisa fazer sentido.

Qual a sua fonte de dados?

Nunca acredite numa métrica se você não puder identificar e validar o conjunto de dados utilizados. Uma métrica de citação deve extrair os dados de uma base de dados de citação robusta. Diferente de uma base de dados que indexa e resume artigos,  uma base de citação precisa indexar as listas de referências do artigo. E em seguida deve contar as citações pelas formações de ligações entre as referências e outros artigos indexados. Uma métrica acurada de citação depende de uma base de citação cuidadosamente  selecionada, que evite a indexação de artigos duplicados ou não confiáveis. As bases de dados de citações mais confiáveis são a Web of Science da Thomson  & Reuters e o Scopus da Elsevier, as quais usam como métricas o Fator de Impacto, o SCImago Journal Rank (SJR) e a the Source Normalised Impact per Publication (SNIP). O Google Scholar é outra base popular (e gratuita), embora a qualidade de seus dados seja menos robusta.

Saber se eles citam sua própria fonte de dados – como eles são compilados, e qual o seu escopo.

O site diz que calculam seus dados de citação de suas próprias bases de dados de periódicos indexados. Isso é bom. Entretanto, lembre-se que uma base de dados de citação pode somente contar citações de e para os papers indexados na base de dados. Portanto é importante saber:

  • Quantas revistas são indexadas?
  • Quais são seus critérios de indexação?
  • Você pode pesquisar o banco de dados (no nível de artigo) - ou seja, você pode validar seus dados?

Esta lista está longe de ser exaustiva, existindo muitos outros tópicos a serem  observados, entretanto, se você suspeita de algum serviço de métrica, e, ao aplicar os critérios acima,  ele não passar por algum deles, é aconselhável evitá-lo. A invasão de métricas falsas no mercado de periódicos científicos prejudica a crença em todas as outras métricas, conforme disse Phil Davis. Barrar o crescimento dessas métricas é do interesse de todos.


Trad. livre nossa de: Jenny Neophytou.Fake metrics and how to spot them.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A divulgação Científica na América Latina falhou

Apesar de ter aumentado nos últimos anos os esforços de divulgação científica na América Latina, o nível de conhecimento mínimo sobre ciência da população dos países da região, como o Brasil e a Argentina, ainda se mantém em nível dramaticamente baixo. A avaliação foi feita por especialistas participantes de uma sessão sobre percepção pública da ciência durante a FAPESP Week Buenos Aires, realizada entre os dias 7 e 10 de abril, na capital da Argentina, pela FAPESP em parceria com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet).


“Nossos esforços de comunicação, com o intuito de mostrar à sociedade, em geral, os resultados de pesquisas financiadas com recursos públicos e fomentar o interesse das futuras gerações pela ciência, estão claramente falhando” disse Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores do evento em Buenos Aires.

“As populações dos países da América Latina nem sequer sabem se é feita ciência e muito menos em quais instituições essa atividade é realizada em suas respectivas nações”, disse Knobel, que é membro da Coordenação Adjunta de Colaborações em Pesquisa da FAPESP.

A avaliação dele é corroborada por pesquisas de percepção pública realizadas nos últimos anos no Brasil por instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a FAPESP, e na Argentina e outros países ibero-americanos pela Red Iberoamericana de Indicadores de Ciencia y Tecnología (RICYT).

A última pesquisa sobre percepção pública da ciência no Brasil, realizada em âmbito nacional pelo MCTI, apontou que somente 14% dos participantes conhecem alguma instituição no país que faz pesquisa.


Leia o texto completo em:

Conhecimento da sociedade sobre ciência na América Latina é dramático



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Campanha da Voz 2015


diadavoz
No dia 16 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Voz. Para celebrar a data, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP realiza, entre 13 e 16 de abril, a décima sétima edição da Campanha da Voz na cidade.
De acordo com os organizadores, o objetivo é difundir informação relacionada ao uso e aos cuidados com a voz e conscientizar a população da importância da saúde vocal.
Para alcançar o público, a Campanha contará com atividades educativas, culturais como: apresentação de recitais, corais, palestras, além de atendimentos assistenciais realizados pela equipe de Fonoaudiólogos da FMRP e do HCFMRP. Instalados em estande na praça XV de Novembro, centro de Ribeirão Preto, orientarão a população, realizando também avaliações e triagem de possíveis problemas de voz, das 8 às 16 horas.
Aqueles que apresentarem qualquer problema serão encaminhados ao HCFMRP para avaliação médica, nos dias 15 e 22 de abril, das 13 às 17 horas. Os pacientes do Centro Integrado de Reabilitação – CIR- HE       também participam da Campanha da Voz e serão beneficiados com atendimentos especiais.
A Campanha da Voz é organizada pelos alunos e professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e do departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com o apoio do Hospital das Clínicas, entidades científicas e acadêmicas de Fonoaudiologia e Otorrinolaringologia.
Mais informações: (16) 3315-2861 ou (16) 3315-2863

quinta-feira, 2 de abril de 2015

TV USP RP - Saber Saúde: Analgésicos

Neste episódio o Dr. Thiago Mattar Cunha, Pesquisador do CRID (Center For Research in Inflammatory Diseases) e professor do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, fala sobre os Analgésicos:



segunda-feira, 30 de março de 2015

Livro para download: Ecologia de reservatórios e interfaces

O livro  "Ecologia de reservatórios e interfaces" (ISBN 978-85-85658-52-6), organizado pelos grupos de pesquisa dos Laboratórios de Limnologia do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Sorocaba (Brasil), é o resultado do esforço conjunto de inúmeros profissionais que atuam em diferentes áreas do conhecimento, mas que transitam pela temática água, em particular os reservatórios (embalses, panta, reservoirs, albufeiras, etc.).

Composto por 30 capítulos,  a obra é uma tentativa de integrar os conhecimentos no intuito de mostrar a necessidadede estudos multi e interdisciplinares para a maior compreensão da estrutura, função e dinâmica dos reservatórios.


Para baixar clique aqui

  
Boa leitura!


quarta-feira, 4 de março de 2015

Escrita Científica

Matéria no Jornal da USP de 02 de março destaca a importância da escrita científica e destaca o Portal da Escrita Científica do Campus da USP de São Carlos que facilita a elaboração de trabalhos acadêmicos e a produção científica:

Reunir em um só portal materiais e informações atualizadas relevantes para a escrita científica, principalmente em inglês e português, e servir como um repositório para orientar alunos e pesquisadores interessados em aperfeiçoar suas habilidades na área. Esse é o objetivo do Portal da Escrita Científica do Campus USP de São Carlos, http://www.escritacientifica.sc.usp.br uma iniciativa de docentes e colaboradores das bibliotecas de todas as unidades do campus.


Leia a matéria na íntegra: