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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

As Mulheres em Bletchley Park

O filme “O Jogo da Imitação”, sobre como o matemático inglês Alan Turing conseguiu quebrar o código secreto da máquina alemã Enigma na segunda guerra mundial coloca em evidência os grandes feitos alcançados em Bletchley Park – local secreto onde os melhores criptoanalistas trabalhavam para que os aliados pudessem ganhar a guerra. No seu auge, havia mais de 10 mil pessoas trabalhando no local, dos quais, mais de dois terços eram mulheres.

Muito se fala nos feitos masculinos, no entanto, as mulheres também tiveram uma grande contribuição para o êxito das operações lá realizadas. O jornal The Conversation (academic rigor, journalistic flair) nos traz um interessante artigo sobre  o papel das mulheres e sua importante contribuição em Bletchley Park, com destaque para Joan Murray (posteriormente Clarke), criptoanalista que trabalhou diretamente com Alan Turing.


The female enigmas of Bletchley Park

 in the 1940 should encourage those of tomorrow

Vale a pena conhecer!


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mulheres na Ciência: Mary Somerville

Apresentamos nesta postagem, mais um capítulo em tradução livre nossa do livro Women in Sciencepublicado pela Comissão Européia de Investigação:

A cientista escocesa superstar

Uma criatura selvagem

Mary Fairfax nasceu em 26 de dezembro de 1780 na casa de seus tios em Jedburgh na Escócia, onde sua mãe, Margaret Charters, estava  descansando de sua viagem entre Londres e Fife. O pai de Mary, o Vice-Almirante Sir William George Fairfax estava em alto-mar a trabalho. Com um pai ausente e uma mãe cuja única preocupação era que ela aprendesse a ler a Bíblia e rezar, Mary teve, em suas próprias palavras, a permissão para crescer como uma criatura selvagem. Como era costume no século 18, a sua educação  foi ocasional e limitada. As únicas aulas formais que Mary teve foi durante um ano na Boarding School for Girls em Musselburgh, perto de Edinburgo, durante o qual  foi bastante infeliz. Ela estudou Aritmética aos 13 anos e deparou-se com a Álgebra acidentalmente quando lia um artigo numa revista para mulheres. Ela então persuadiu o tutor do seu irmão a comprar livros para ela, permitindo-lhe que pudesse desenvolver seu interesse pelo assunto.

Dois casamentos e um funeral.

Em 1804, Mary casa-se com seu primo, o Capitão Samuel Greig. Ele não possuía interesse em Matemática ou Ciência, e tinha em baixa consideração a intelectualidade das mulheres, porém não interferiu no estudo da esposa. O casal teve dois filhos, Woronzow e William George. Seu marido falece três anos após o casamento, em 1807.
A viuvez e uma considerável herança dão à Mary independência, permitindo que continuasse a estudar conforme seu desejo. Ela alcança uma sólida base em Matemática e começa a se interessar por Astronomia. Em 1812 se casa novamente. Seu segundo marido, Dr. William Somerville, era inspetor da junta médica do exército. Sendo ele um cientista, foi um ativo apoiador dos empreendimentos da esposa, servindo como seu secretário e editor, bem como introduzindo-a aos colegas cientistas. Seu círculo social em Londres incluía proeminentes estudiosos como Charles Babbage e a família Herschel. Mary e William tiveram  quatro filhos.

Uma personalidade magnética

Mary aprofundou-se seriamente em seus estudos e seu primeiro sucesso veio quando  ganhou uma medalha de prata num concurso de Matemática. Com o segundo marido estudou Geologia, coletou e descreveu minerais, expandindo mais tarde seus interesses com estudos de grego, Botânica, Meteorologia e Astronomia.

Ela começa seus experimentos científicos sobre o magnetismo no verão de 1825. No ano seguinte, seu paper ‘The magnetic properties of the violet rays of the solar spectrum’ foi apresentado na Royal Society pelo seu marido. O trabalho atraiu críticas favoráveis e foi publicado. Embora a teoria contida no paper tenha sido refutada mais tarde, o trabalho em si marcou Mary como uma habilidosa escritora científica.

Após esse sucesso, Mary é persuadida a  produzir uma tradução popular da Mécanique Celeste de Marquis de Laplace, a fim de que um público mais amplo pudesse entender o trabalho do grande matemático e astrônomo francês. A sua tradução e a longa introdução que adicionou à obra foram um triunfo. Um busto dela é colocado no hall da Royal Society em comemoração ao sucesso do acontecimento.

O Alinhamento dos Planetas

Mary viaja para a Europa Continental em 1832, onde passa a trabalhar em seu segundo livro. On the Connexion of the Physical Sciences, publicado em 1834, inclui uma discussão sobre um planeta hipotético perturbando Urano -  a qual inspira John Couch Adams a continuar sua investigação, que o leva à descoberta de Netuno.

Em 1835, junto com a astrônoma Caroline Herschel, Mary torna-se a primeira mulher membro da Royal Astronomical Society. O governo lhe concede uma pensão de 300 pounds por ano.

La dolce vita

Com William doente, os Somervilles mudam-se para a Itália em 1838, onde Mary gastaria a maior parte do resto de sua vida. Seu livro de maior sucesso, Physical Geography apareceu em 1848. Ele foi amplamente usado nas escolas e universidades por meio século. Ela posteriormente escreve mais dois livros, Molecular and Microscopic Science e sua auto-biografia, Personell Recollection (publicado em 1873), antes de sua morte em Nápoles, em 28 de novembro de 1872, um mês antes de completar 92 anos.

Realizações Científicas

Mary Somerville foi reconhecida pelos seus colegas cientistas como igual, e alcançou enorme sucesso popular com sua escrita e com sua habilidade de traduzir a informação científica em termos claros e inteligíveis para o grande público. Seus quatro trabalhos acadêmicos cobriram uma ampla gama de tópicos científicos, propondo novas teorias e tornando conceitos complicados mais fáceis de entendimento.

A óbvia capacidade intelectual de Mary, combinada com modéstia, demonstraram que as mulheres podiam rivalizar com os homens academicamente, e ela foi recompensada por isso com sua nomeação para a Royal Astronomical Society, passando a receber uma pensão governamental. Durante sua vida ela se esforçou para melhorar as oportunidades intelectuais e sociais para as mulheres. Esta certamente foi uma das razões pelas quais, após sua morte, uma das primeiras faculdades para mulheres da Universidade de Oxford, a Somerville College, ser assim chamada. Ela também foi imortalizada na designação de um asteroide e uma cratera lunar com o seu nome.


Maitland Building construído em 1913

Fontes das imagens: 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mulheres tem pouca presença em revistas científicas

A presença de mulheres nas mais destacadas revistas científicas do mundo é extremamente baixa, conclui um estudo que quantifica as disparidades de gênero nas diversas especialidades.
  
O estudo, publicado na Nature de 11 de dezembro de 2013, analisa 5,4 milhões de artigos publicados entre 2008 e 2012 em revistas científicas indexadas na base de dados Web of Science da Thomson Reuters, concluindo que menos de 30% dos artigos tem como autora principal mulheres, contra pouco mais de 70% liderados por homens.

As mulheres se igualaram aos homens em quantidade de artigos em somente 5% dos países com artigos na web of Science. Em apenas 9 países o número de artigos de pesquisadoras  superou o de homens.

Pela pesquisa, as mulheres têm menos trabalhos com autores de outros países e seus artigos têm menos impacto em citações.

Na América Latina, os países com maior proporção de mulheres co-autoras são Argentina (0,915:1), República Dominicana (0,902:1), Honduras (0,827:1), Paraguai (0,8:1), Guatemala (0,76:1) e Haití (0,734:1). No outro extremo temos: Perú (0,443:1), Equador (0,441:1), Chile (0,425:1), Panamá (0,39:1), Suriname (0,381:1) e Guiana (0,207:1).

Entre os 30 países com mais artigos publicados, o Brasil é o terceiro com maior proporção de mulheres co-autoras (0,678:1), depois da Polônia (0,754) e de Portugal (0,742).

Segundo Cassidy Sugimoto, co-autora do estudo e pesquisadora da Escola de Informática e Computação da Universidade de Indiana (EUA) – em entrevista ao SciDev.Net declarou que “fatores culturais e históricos influenciam as pessoas de um determinado gênero a se dedicarem a distintos tipos de trabalho, e isto varia de país a país. E qualquer medida visando alcançar um equilíbrio de gênero no âmbito científico deverá levar em conta essa complexidade”.

Link para o artigo da Nature:

Bibliometrics: Global gender disparities in science


Veja também:





quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mulheres na Pesquisa Científica Mundial

Um estudo realizado por um grupo de pesquisa sediado na Universidade de Washington, Estados Unidos, indica que a participação de mulheres na publicação de artigos científicos está crescendo em praticamente todas as áreas do conhecimento no mundo, mas o aumento da presença feminina tem menos fôlego quando se analisam em separado os artigos com um único autor, aqueles que resultam do esforço individual de um pesquisador, e também nos artigos com vários autores,  há menos mulheres na posição de autor principal.

O estudo debruçou-se sobre o acervo de um repositório digital que contém mais de 1.900 periódicos de vários países publicados nos últimos quatro séculos, o Jstor (acrônimo para Journal Storage). As mulheres representam 21,9% de todos os autores identificados na base Jstor. Mas entre os papers com um único autor 17% foram elaborados por mulheres e 83% por homens. 

A posição ocupada por mulheres na lista de coautores de artigos escritos por várias pessoas recebeu atenção especial no estudo. Constatou-se que, em muitas áreas, elas estão sub-representadas tanto na primeira posição da lista, que em geral indica o autor principal, quanto na última, usualmente reservada para o orientador ou coordenador do grupo de pesquisa. No caso da biologia molecular e celular, por exemplo, a participação da mulher como autora principal ou única do artigo foi de 15,8% entre 1665 e 2010 – diante de 26,7% de participação feminina sem levar em conta a posição.

O estudo da Universidade de Washington apresenta um panorama da publicação científica, mas não esmiúça as diferenças entre países. No Japão, por exemplo, as mulheres compunham apenas 11,1% da força de trabalho acadêmica do país em 2004, enquanto Portugal apresentava uma taxa de 40%, segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, a situação é considerada mais favorável na comparação com outros países. “Aqui, a entrada de mulheres é cada vez maior em todos os níveis acadêmicos”, diz Jacqueline Leta, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudiosa das questões de gênero na ciência. 


Leia o artigo na íntegra:




terça-feira, 2 de abril de 2013

Mulheres Cientistas nas Américas

A Rede Interamericana de Academias de Ciências (Ianas, na sigla em inglês) publicou o livro Mulheres Cientistas nas Américas, com depoimentos de 16 pesquisadoras da região a jornalistas especializados na área de ciência. Nas entrevistas elas falam sobre sonhos, carreiras, família e obstáculos que tiveram que superar em sua trajetória científica. O Brasil está representado pela geneticista Mayana Zatz.

Acesse o livro em pdf: 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mulheres na Ciência: Laura Maria Caterina Bassi

Em homenagem ao Dia da Mulher, trazemos mais um capítulo com tradução livre nossa, do livro Women in Science


Laura Maria Caterina Bassi

Abrindo caminho para mulheres na academia

Após Elena Lucrezia Cornaro Piscopia ter se tornado a primeira mulher a receber o título de doutorado em 1678, a academia italiana começou, muito lentamente, a aceitar mulheres. Em 1732, outra italiana, Laura Maria Caterina Bassi (1711-1778), tornou-se a segunda mulher a conseguir o grau de doutora e foi a primeira a ensinar em uma universidade europeia. A longa carreira científica de Bassi teve uma profunda influência sobre a ciência italiana no século 18.

Um talento reconhecível

Nascida na Bolonha em 31 de outubro de 1711, Laura Bassi foi a única entre vários filhos a sobreviver. Era de família abastada, e seu pai, advogado, pagou-lhe um professor particular para que estudasse. Dos 13 aos 20 anos, Laura foi tutorada por Gaetano Tacconi, médico da família e professor na Universidade da Bolonha, que ensinou-lhe Filosofia e Metafísica. Tacconi reconheceu seu talento prodigioso e decidiu promovê-lo nos círculos acadêmicos da Bolonha.


Laura Bassi rapidamente chamou a atenção do Cardeal Prospero Lambertini (que mais tarde seria o Papa Benedito XIV), que tinha retornado para sua cidade natal em 1731 como Arcebispo da Bolonha. O Cardeal, que tinha ele próprio estudado ciência em sua juventude, encorajou-a em seu trabalho científico e tornou-se o seu mais influente protetor. Em 1732 Lambertini convenceu Laura a participar de debates públicos lançando-a como símbolo da regeneração cultural e científica da cidade.

A primeira professora

Aos 20 anos Laura Bassi conseguiu a posição de professora na Universidade da Bolonha, a mais antiga universidade da Europa. Este foi um passo radical que fez dela a primeira mulher a ensinar oficialmente em uma universidade europeia. Seu doutorado, o segundo a ser obtido por uma mulher, lhe foi conferido em uma luxuosa cerimônia pública, na qual ela foi presenteada com uma capa de arminho, uma joia incrustada de prata, uma coroa de louros e um anel.

Uma medalha comemorativa também foi cunhada em sua honra.  Porém, a despeito de sua veneração pública e seu compromisso com a cadeira de Filosofia, as oportunidades de ensino de Laura Bassi foram poucas nesse estágio de sua carreira. Foi considerado impróprio para uma mulher, ensinar em uma sala lotada de estudantes homens, então ela somente dava palestras ocasionais em eventos públicos aos quais mulheres eram convidadas.


Casamento Elétrico

Em 1738, Laura Bassi casou-se com o cientista Giuseppe Veratti e o casal teve 8 filhos, cinco dos quais sobreviveram até a idade adulta. Com o casamento ela pode trabalhar regularmente em sua casa o tempo que precisasse. Com  a ajuda de protetores poderosos conseguiu convencer a universidade a dar-lhe mais responsabilidades e um salário mais alto para que  pudesse comprar seus próprios equipamentos. Isso a possibilitou equipar sua casa com um laboratório, onde, junto com seu marido realizou experimentos com a eletricidade. Em 1760, seu salário de 1.200 liras era mais alto que o de qualquer outro professor da universidade.

Fama Difundida

Como resultado de sua posição única, seu nome tornou-se amplamente conhecido nos círculos acadêmicos e um biógrafo escreveu que “nenhum acadêmico passava através da Bolonha sem ficar ansioso para conversar e aprender com ela”. Laura mantinha correspondência com outros acadêmicos, incluindo o filósofo francês Voltaire, o qual, durante os anos de 1744-45 ajudou a tornar-se membro da Academia  de Ciências da Bolonha.

Por volta dessa época, o Papa Benedito XIV estabeleceu um grupo de elite de 25 acadêmicos, conhecidos como Os Benedettini. Laura Bassi tentou fortemente ser escolhida como membro do grupo, cujos componentes saudaram isso com variadas e diferentes  reações. Seus esforços tiveram sucesso e fizeram com que o Papa a admitisse. Isto não somente aumentou sua renda, mas expandiu suas oportunidades para colaboração e compartilhamento do seu trabalho: de 1746 até dois anos antes de sua morte, Laura Bassi fez apresentações anuais de seu trabalho para a Academia Beneditina.

Durante a segunda metade de sua vida, foi reconhecida nos círculos científicos por sua habilidade para ensinar Física Experimental e por seu trabalho nas áreas de mecânica, hidrometria, elasticidade e outras propriedades dos gases, contribuindo também com debates sobre a eletricidade. Em 1776, com 65 anos, Laura Bassi foi indicada para a cadeira de Física Experimental pelo Instituto de Ciências, com seu marido escalado como seu assistente de ensino oficial. Ela morreu dois anos mais tarde, em 20 de fevereiro de 1778, encerrando uma longa carreira em Física, a qual foi inovadora no mundo acadêmico.

Realizações Científicas

Laura Bassi é sempre lembrada por ser a primeira mulher a ensinar oficialmente em uma universidade europeia, mas ela também foi pioneira nas áreas que ela escolheu ensinar. Seu primeiro interesse foi a obra do matemático e físico inglês Isaac Newton, sendo a primeira acadêmica a ensinar Filosofia Natural Newtoniana na Itália. Essa visão de mundo mostra que as forças da natureza obedecem a leis naturais que podem ser quantificadas, previstas e, às vezes, controladas, em oposição à visão de que a natureza é controlada por forças sobrenaturais. Ela lecionou Física Newtoniana por 28 anos, o que fez dela figura-chave na introdução das ideias de Newton sobre Física e Filosofia Natural na Itália.

Durante toda a sua carreira, Laura Bassi conduziu pesquisas em uma variedade de campos científicos. Ela publicou 28 artigos ao todo, dos quais, uma grande maioria sobre Física e Hidráulica. Embora nenhum dos seus trabalhos científicos tenham  trazido avanços novos e significativos, sua carreira foi importante pela posição de respeito que atingiu. Como Gabriella Berti Logan escreveu na American Historical Review, “O que fez Bassi única foi o uso que ela fez das recompensas que normalmente permaneceriam simbólicas, construindo uma posição na comunidade científica de sua cidade, contribuindo para a sua vida intelectual por meio da pesquisa e ensino”.

Para saber mais sobre Laura Bassi:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Mulheres na Ciência: Émilie du Châtelet

Continuando nossa tradução livre de alguns capítulos  do  livro Women in Science, publicado pela Comissão Européia de Investigação, apresentamos: 

Émilie du Châtelet: a Luz do Iluminismo

Entre a razão e o romance

Gabrielle Émilie le Tonnelier de Breteuil, Marquesa de Châtelet, nasceu em 1706. Era filha de Louis Nicolas le Tonnelier de Breteuil, secretário principal do rei Louis XIV. A posição de seu pai providenciou-lhe acesso à elite intelectual e aristocrática francesa desde sua infância.

Reconhecendo o brilho da filha, o pai, de forma não usual para a época, arranjou-lhe treinamentos em atividades físicas, tais como esgrima e equitação. Posteriormente arrumou-lhe  tutores que ensinaram-lhe Matemática, Literatura e Ciência. Além disso, Bernard le Bovier de Fontenelle – escritor de livros sobre Astronomia, introduziu-a nessa disciplina ainda em sua infância.

Sua mãe, Gabrielle-Anne de Froulay, criada e educada em um convento não aprovava as atividades  intelectuais da filha; o investimento porém, valeu a pena. Aos doze anos Émilie era fluente em grego, latim, italiano e alemão. No entanto, além das inclinações intelectuais, a jovem também tinha um lado indomado – gostava de dançar, tocar cravo, cantar ópera, era atriz amadora e exímia jogadora de jogos de azar. 

Maridos Tradicionais, Amantes Eruditos

Apesar de suas idéias e estilo de vida não convencional, Émile estabeleceu-se em um casamento aristocrático convencional. Em 1725 ela se casa com o Marquês Florent-Claude du Chastellet (ou Châtelet). Após o nascimento dos filhos (dois garotos e uma garota), ela e o marido fazem um acordo – comum entre a aristocracia francesa da época – viveriam vidas separadas, incluindo a manutenção de  amantes de ambas as partes, mas mantendo socialmente a família.

Aos 25 anos, em 1730, Émile terminou seu romance com o Duc de Richelieu (sobrinho-neto do famoso Cardeal do mesmo nome),  a quem ela influenciou  com sua paixão pela literatura e filosofia. Porém, o seu mais  famoso amante foi o quarto deles, cujo affair iniciou-se em 1733. Esse amante foi Voltaire, o famoso filósofo e escritor do Iluminismo, que freqüentava os salões do pai de Émile quando ela era mais jovem. Ela o abrigou em sua propriedade rural quando ele foi perseguido pelas autoridades devido às suas visões políticas controversas.

Eles viveram juntos durante quinze anos, em um encontro apaixonado de mentes e corações. Além de publicarem obras sobre Física e Matemática, construíram uma coleção de 21.000 obras, a qual era maior que as bibliotecas da maioria das universidades européias. A admiração de Voltaire por Émile era imensa. Ele declarou em uma carta que ela era “um grande homem cujo único defeito era ser uma mulher”.

Durante seu último caso de amor ela engravidou, e a febre puerperal a levou junto com seu bebê, para a morte, alguns dias após o nascimento deste, em 1749. Ela tinha 42 anos.

A natureza da luz intelectual

Devido aos constrangimentos impostos às mulheres pela sociedade francesa da época, não foi possível para Émilie seguir  uma educação similar à possibilitada aos homens. Entretanto, seu gênio, sua desenvoltura e seu apetite voraz pela aquisição de conhecimento, bem como o incentivo de seu pai ajudaram-na a superar esse desafio.

Com o nascimento do seu terceiro filho, Émilie considerou que suas responsabilidades conjugais já haviam sido cumpridas, podendo então dedicar-se à busca do conhecimento e às aventuras amorosas. Em 1737, publicou um paper sobre a natureza do fogo, no qual descreve  o que nós chamamos hoje de radiação infravermelha. Escreveu também reflexões sobre a natureza da luz.

Em 1738, ela e Voltaire publicaram seu trabalho conjunto de sucesso - Elements of Newton‘s Philosophy. Sua cooperação levou Voltaire a reconhecer o intelecto superior de Émilie, especialmente na Física. Uma década após a obra ser publicada, ele confidenciou: “ Eu costumava aprender junto com você, mas você agora voou para onde eu não posso mais seguir”. 

Trabalhos com Energia

Dois anos mais tarde, em 1740,  publicou Institutions de Physique (Lessons in Physics). O livro reuniu  idéias complexas dos principais pensadores da época, incluindo os  filósofos e matemáticos Gottfried Leibniz, Willem ‘s Gravesande e Isaac Newton, respectivamente, alemão, escocês e inglês.
Émilie mostrou que  a energia de um objeto em movimento é proporcional não à sua velocidade, como anteriormente se acreditava, mas ao quadrado da sua velocidade.

O ano final da vida dela coincidiu com a realização do que é amplamente considerada como a sua Opus Magnum: sua tradução comentada para o francês da Mathematica Principia de Newton, onde conseguiu extrapolar os princípios  da mecânica newtoniana sobre a conservação da energia.

Realizações Científicas

Émilie du Châtelet pode certamente ser mencionada como uma das principais figuras do Iluminismo. Seu trabalho ajudou  a disseminar a nova Física, a Matemática e a Filosofia Geral. Além disso, ela fez algumas descobertas significantes e desenvolveu sozinha  conceitos  importantes sobre a radiação infravermelha e a conservação da energia.

A despeito da admiração e estima que ela despertava nos principais intelectuais da época, seu gênero a ridicularizava entre os homens do Iluminismo. O filósofo alemão Immanuel Kant admirado com seu intelecto chegou a zombar comentando que uma mulher “que se instruiu nas controvérsias sobre mecânica como a Marquesa Du Châtelet podia muito bem ter uma barba”. Da sua parte, Émilie pedia ao mundo que a julgassem pelos meus méritos e não pelo seu sexo.

Na sociedade da época de modo geral, não era somente o fato de ela ser uma mulher que se constituía em tema controverso – as idéias iluministas que ela propagou, incluindo a Filosofia Natural Newtoniana, eram ainda consideradas heresias filosóficas por muitas pessoas.


Para saber mais sobre Émilie du Châtelet:

Livro sobre ela e seu caso de amor com Voltaire:



Título: Mentes Apaixonadas:

Emilie du Chatelet e Voltaire, O Grande Caso de Amor do Iluminismo

Autor: David Bodanis

Editora: Record
Edição: 1
Ano: 2012
Idioma: Português 


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Prêmio Nobel: mulheres laureadas



O Prêmio Nobel e o Prêmio em Ciências Econômicas foram concedidos para mulheres 44 vezes entre 1901 e 2011. Somente uma mulher, Marie Curie, foi laureada duas vezes: em 1903, com o Nobel em Física, e em 1911, com o Nobel em Química. Assim, o prêmio foi concedido a 43 mulheres de 1901 até hoje.

Veja no site abaixo, quem são elas:


Aproveite e teste seus conhecimentos sobre o Nobel 2011 no quiz:

2011 Nobel Prize Quiz


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mulheres na Ciência: Maria Sibylla Merian (1647-1717)

Apresentamos novamente, mais um capítulo do  livro Women in Science, publicado pela Comissão Européia de Investigação, em tradução livre nossa: 


Scientific Butterfly

 Pinceladas duradouras

Maria Sibylla Merian nasceu em 1647 em Frankfurt. Era filha de um gravurista e gráfico suíço - Matthäus Merian The Elder, que morre cedo, deixando-a com  três anos de idade. Em 1651 sua mãe casa-se com o pintor Jacob Marrel que a estimula a desenhar e a pintar.

Seu interesse na pintura e seu fascínio pelo mundo natural levam-na a criar suas primeiras imagens de insetos e plantas – tendo como modelos, insetos capturados até os seus treze anos.

Em 1665, com dezoito anos, Maria casa-se com o aprendiz de Marrel, Johann Andreas Graff, com quem tem duas filhas. O casal muda-se  para Nuremberg em 1667, onde ela tem seu primeiro sucesso profissional. Em 1681 seu padrasto morre e a família retorna para Frankfurt para cuidar do seu espólio.

Mudanças continentais

Após duas décadas de casamento, Maria, aos 38 anos, deixa seu marido em 1685 devido aos seus “vícios vergonhosos” – de acordo com os registros da época. Naquele tempo, divórcios e separações não eram tão incomuns como pensamos. Acompanhada pela mãe e pelas filhas, ela une-se aos Labadistas – uma seita protestante puritana – comum na Frísia e na Holanda. Durante esse período ela fica fascinada com as plantas tropicais que eles trazem de suas plantações no Suriname.

Em 1691 ela muda-se para Amsterdam, onde sua fama como naturalista, artista e perita em insetos lhe proporciona acesso a coleções tropicais de famílias influentes que a levam consigo em viagens ao Suriname.

Em 1715 ela sofre um derrame que a deixa parcialmente paralisada, morrendo em Amsterdam em 1717.

Uma linda metamorfose

Assim como os insetos que ela pintava tão maravilhosamente, Maria Merian também sofre uma impressionante metamorfose de desenhista para artista e cientista. “Em minha juventude gastei muito tempo investigando insetos”, ela explica em um dos seus livros, como por exemplo, observando as lagartas  se transformando em lindas borboletas.  Isso deflagra nela uma fascinação que beira a obsessão: “Eu me retirei do convívio humano e engajei-me exclusivamente nessas investigações”

Flower Power

Quando viveu em Nuremberg com o marido, ao invés de tornar-se sua parceira nos negócios – o que  era esperado dela,  Maria Merian dá um passo diferente, criando uma loja de bordados e design de tecidos. Ela também ensinava  essas atividades a  muitas jovens de família ricas  que lhe proporcionavam acesso aos finos jardins de suas mansões. Nesses jardins ela estuda os insetos, particularmente o ciclo de vida das lagartas e borboletas. Suas investigações levam-na à publicação do seu primeiro livro, intitulado Neues Blumenbuch (New Book of Flowers). Seu segundo livro sobre a metamorfose das lagartas fica pronto em 1679.

A fascinação pela flora e a fauna  tropical adquirida quando morou na Holanda impelem-na a embarcar em uma expedição ao Suriname em 1699, onde ela observou e pintou os animais e plantas locais. No entanto, as condições da colônia holandesa no Suriname começam a angustiá-la, pois os colonos zombavam do seu  interesse nos insetos e plantas, e o sofrimento dos escravos causavam-lhe horror.

Em 1701 a malária força-a a voltar para a Holanda. Quatro anos depois ela publica sua obra seminal: Metamorphosis Insectorum Surinamensium, sobre os insetos do Suriname.


Realizações Científicas

No início da ciência moderna, as mulheres freqüentemente  trabalhavam como observadoras e ilustradoras, assim, as habilidades artísticas de Maria Merian foram seu passaporte para a ciência.

Suas observações meticulosas foram úteis na luta contra a crença – vigente naquele tempo - na idéia aristotélica de que os insetos surgiam espontaneamente da lama. Maria descreveu em sua carreira, o ciclo de vida de 186 espécies de insetos. A sua pesquisa empírica minuciosa ajudou a colocar o estudo de insetos – a Entomologia – sobre bases mais científicas.

A publicação de sua obra em alemão – opondo-se ao latim – ajudou a aumentar a conscientização das pessoas do povo sobre a existência da metamorfose dos insetos, mas, por outro lado, foi evitada por muitos cientistas, pois era o latim a língua do aprendizado na época. No entanto, tão popular ficaram seus três livros, que 19 edições surgiram entre 1665 e 1771.

O Czar Pedro I da Rússia era grande admirador do seu trabalho. Outro grande admirador foi Wolfgang Von Goethe, que ficou maravilhado com a combinação de arte e ciência de suas pinturas.

Nos tempos atuais Maria Sibylla Merian  foi redescoberta. Antes da entrada do euro, seu rosto foi a estampa da nota de 500 do marco alemão. Seu retrato figurou em vários selos, e muitas escolas possuem o seu nome. Em 2005 um moderno navio de pesquisa foi lançado na Alemanha, também com o seu nome.


Fonte:
Maria Sibylla Merian: scientific butterfly. In: Women in Science. European Commission. 2009. p. 26-29

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mulheres na Ciência: Elena Lucrezia Cornaro Piscopia (1646-1684)

Apresentamos mais um capítulo do  livro Women in Science, publicado pela Comissão Européia de Investigação, em tradução livre nossa: 



O Prodígio de Veneza


Nascida na aristocracia veneziana, Elena Piscopia brilhou desde tenra idade. Veneza tinha sido o principal centro do Renascimento na Itália, e Piscopia continuou a tradição iniciada pelos seus antecessores masculinos, tais como Leonardo da Vinci, sendo uma polímata.

Seu pai, Giovanni Baptista Cornaro Piscopia, ocupante do alto cargo de procurador de São Marcos na República de Veneza, foi o responsável pelo incentivo à genialidade da filha, proporcionando-lhe as melhores oportunidades de aprendizagem que existiam na época e advogando em sua causa nos corredores da academia, os quais eram dominados exclusivamente por homens.

Ainda criança Elena ganhou o título de Oraculum Septilingue’ devido ao seu plurilinguismo. Nessa época começou a apresentar grande capacidade de raciocínio. Também possuía talento musical, dominando o cravo, o clavicórdio, a harpa e o violino, bem como compondo músicas.

Antes dos vinte anos, sua paixão pela Teologia e Filosofia levou-a a querer entrar para a ordem dos Beneditinos, chegando a usar o hábito, não se tornando, porém, freira. Ao invés disso, seu pai persuadiu-a a entrar na Universidade de Pádua em 1672, a terceira universidade mais antiga da Itália, fundada em 1222, onde ela tornou-se a primeira mulher européia a conseguir um doutorado. Esse evento singular fez com que ela fosse respeitada e admirada por toda a Europa.

Apaixonada pela aprendizagem e pela caridade aos necessitados rejeitou inúmeros pretendentes, dedicando-se a essas atividades. Morreu em 1684, sendo enterrada na igreja de Santa Giustina de Pádua. Uma estátua dela foi erigida na universidade e uma medalha emitida em sua honra.

A linguagem do aprendizado

Com o encorajamento dado pelo pai, ela acreditava fortemente na sua inteligência e habilidades e queria ser reconhecida por isso. Com sete anos começou sua educação clássica, estudando latim e grego, bem como gramática e música. Ela rapidamente dominou essas duas línguas, além de espanhol, francês, árabe e hebreu.  Mais tarde seus estudos incluíram Matemática, Filosofia e Teologia. Na universidade de Pádua ela se sobressaía e seu brilho tornava-se aparente para qualquer pessoa que a conhecesse. Devido ao seu forte interesse em assuntos teológicos, ela inscreveu-se mais de uma vez para o doutorado em Teologia.


Questões teológicas espinhosas

No entanto, se lhe fosse conferido o grau de doutora em Teologia, automaticamente ela teria garantido também, o direito a pregar – o que era contra a posição da igreja, pois à mulher era dado somente o direito de “aprender em silêncio, com subordinação”, de acordo com Timóteo I: 11-12. Assim, sua vontade de cursar  Teologia causou confusão e resistência entre o clero. Eles então lhe ofereceram a alternativa para inscrever-se no doutorado em Filosofia.

O seu exame de doutorado seria realizado no hall da universidade, mas, devido ao grande número de pessoas que queriam assisti-lo, transferiram-no para a Catedral da Virgem Abençoada, na cidade. Elena falou durante uma hora, em latim clássico, explicando passagens difíceis da obra de Aristóteles selecionadas randomicamente. Seu desempenho impressionou seus examinadores, conseguindo assim, em 1678, aos 32 anos, o grau de doutorado. 


Realizações Científicas

No mesmo ano em que conseguiu o grau acadêmico almejado, tornou-se lecturer em Matemática na Universidade de Pádua. Seus escritos, publicados postumamente em Parma em 1688 incluem discursos acadêmicos, traduções e tratados devocionais. Ela tornou-se membro de várias academias e sociedades por toda a Europa, e era visitada regularmente por estudiosos estrangeiros.

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O exemplo de Elena Piscopia tem inspirado gerações de mulheres e homens de todas as idades. Um exemplo recente de uma última influência sua foi o livro intitulado The Lady Cornaro: pride and prodigy of Venice, by Jane Howard Guernsey, publicado em 1999. Foi o primeiro estudo profundo da sua vida.




Fonte:
Elena Lucrezia Cornaro Piscopia: the prodigy of Venice. In: Women in Science. European Commission. 2009. p. 22-25

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mulheres na Ciência: Hipátia de Alexandria

Há tempos atrás, uma de nossas postagens incluía um link para o livro Women in Science, publicado pela Comissão Européia de Investigação, em pdf.

Fizemos uma versão livre em português do primeiro capítulo:

Hipátia de Alexandria : a incomparável filósofa clássica

A erudita helênica Hipátia (cerca de 370-415 d.C.), que viveu na cidade de Alexandria, distingue-se por dois motivos: ser a última dos grandes filósofos da era clássica, e a primeira mulher a deixar influências no campo da Matemática.

Ela nasceu entre os anos 350 e 370 d.C. em Alexandria, Egito. Com sua grandiosa biblioteca, a cidade era o centro helênico do ensino. Hipátia era filha e aluna de Téon, o último matemático e diretor do Museu de Alexandria, o qual compreendia a biblioteca e vários institutos de ensino independentes.

Como a primeira notável filósofa neo-platônica e matemática, Hipátia era amplamente admirada e respeitada - na sua cidade natal e além desta – o que lhe dava considerável influência política. Devido ao seu status, ela movimentava-se livremente – desprezando as normas vigentes sobre o comportamento das mulheres da época. Além disso, ela era uma figura controversa – por suas crenças “pagãs” e provavelmente também, pelo seu gênero.

Vivendo durante a violenta transição da era clássica para a era cristã, Hipátia pagou caro por sua filosofia. Estimulados possivelmente pela animosidade que o bispo da cidade, Cirilo de Alexandria, expressava por ela, em 415 d.C., uma turba cristã enraivecida assassinou-a brutalmente.

À frente de seu tempo

O primeiro professor de Hipátia foi seu pai, Téon. Além de ser seu tutor em Matemática e em outros ramos da Filosofia, ele planejou para ela, um rigoroso programa de treinamento físico. Ela também viajou para a Grécia e Roma a estudos.

Para sorte de Téon, sua filha não era somente sua melhor aluna, pois logo superou-o em suas próprias realizações na Matemática, tornando-se, por volta de 400 d.C., a chefe da escola neo-platônica de Alexandria, onde ensinava Astronomia, Matemática e Filosofia, especialmente as obras de Platão e Aristóteles. Hipátia, à semelhança dos eruditos gregos antigos, em sua paixão pelo ensino, excursionava pelo centro da cidade interpretando as obras dos filósofos para quem desejasse ouvi-la. “Ela produziu conhecimento na literatura e na ciência, superando em muito, todos os filósofos do seu próprio tempo” - palavras do historiógrafo cristão Sócrates Scholasticus, contemporâneo dela.

Sozinha ou em colaboração com seu pai, Hipátia deixou para a humanidade um profundo legado científico. É creditado a ela a invenção do astrolábio plano - um instrumento de navegação; o hidrômetro de bronze graduado, para medir a densidade específica dos líquidos, e o hidroscópio, um dispositivo para visão sob a água. Um de seus discípulos, Sinésio de Cirene, também credita a ela a invenção do destilador de água.

Hipátia também é autora de numerosos tratados de Matemática, os quais se perderam quando a biblioteca de Alexandria foi destruída. Escreveu comentários sobre várias obras de outros autores, como por exemplo, sobre a Arithmetica de Diofanto de Alexandria e sobre As Cônicas de Apolônio, o geômetra grego de Pérgamo.

Editou também, obras de seu pai, incluindo seus comentários sobre o Almagesto de Ptolomeu de Alexandria e Os Elementos, de Euclides de Alexandria.

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Para ilustrar a vida de Hipátia, recomendamos o filme Alexandria (título original: Agora). 2009. de Alejandro Amenábar.

http://www.imdb.com/title/tt1186830/
http://bit.ly/k0Wbok